A dor é a manifestação primordial da vida. Tudo o que fazemos é para atenuar essa dor. A felicidade suprema seria a ausência total de dor. Eis uma tentativa de contribuição para minorar esse sentimento … Como naquela expressão inglesa: I have my moments, em resposta à pergunta, Are you happy?

quarta-feira, setembro 26, 2007

Pensamentos morffinescos sobre o Portugal actual e o Portugal possível no âmbito do “País Possível” de Ruy Belo (parte II)



Neste trecho, morffinizado, de “Morte ao Meio-Dia”, de Ruy Belo, descubram os versos acrescentados, de piada fácil.
Que me desculpem. São brincadeiras de quem tem pouco que fazer.

No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
com muito pondero e pouco siso
Novembro é quanta cor o céu consente
Se não fosse tão triste daria muito riso
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos
que o mais zeloso varredor municipal
impelido pelo espírito governamental
Mas que fazer de toda esta cor azul
De presidência temporariamente absorvida

que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência cala-se
e mais nada

Neste país de vestido socrático emprestado
A boca é para comer e trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
às urnas em bloco sem medo!

Um extra (para não escrever PS) para agradecer ao Gomes, que tem toda a razão no seu comentário ao post anterior:

Dicen que no hablan las plantas, ni las fuentes ni los pájaros
ni el onda con sus rumores, ni con su brillo los astros:
lo dicen, pero no es cierto, pues siempre cuando yo paso
de mí murmuran y exclaman: -- Ahí va la loca, soñando ...


Gostei muito de conhecer melhor a Rosália de Castro.

4 comentários:

O Micróbio II disse...

Entrámos na onda Ruy Belo... que deves manter, se existe poesia que admiro é a dele.

Sem Quórum disse...

Morffina, presta bem atenção na palavra do Senhor: estás na onda Ruy Belo "que deves manter", pois o Senhor admira Ruy Belo. Um padre dominicano não seria mais paternalista em tempos idos de fornalha. Ai de ti se não cumprires o dever - ainda acabas a arder!
Abraço,
ALM

Ai meu Deus disse...

1. Interessante este teu exercício de refazer o poema.

2. A Rosalía, associo-a com a emigração (e a temática da partida). É dela o famoso poema cantado pelo Adriano: "Este parte / Aquele parte / (etc)". E a despedida repete-se noutros poemas como o que se desenvolve a partir do estribilho "Adiós ríos, adiós fontes / adiós regatos pequenos / adiós vista dos meus ollos, / non sei cándo nos veremos". Como outros...

Abraço.

O Micróbio II disse...

Confirma-se o que disse em tempos: o rapaz deve ter passado algum mau bocado numa qualquer sacristia!