A dor é a manifestação primordial da vida. Tudo o que fazemos é para atenuar essa dor. A felicidade suprema seria a ausência total de dor. Eis uma tentativa de contribuição para minorar esse sentimento … Como naquela expressão inglesa: I have my moments, em resposta à pergunta, Are you happy?

sábado, julho 14, 2007

Fu…t(eb)olices Portuguesas


Gosto de futebol. Fui habituado a vê-lo e até joguei quando era miúdo. É um vício. No entanto, devo dizer que fico um pouco incomodado pela importância dada às declarações das pessoas envolvidas nesse meio. Tudo bem. Só houve e vê quem quer, mas a atenção dada pelos media pressionados pelas audiências e, portanto, mercado, leva a que algumas pessoas assumem uma sobranceria parola, com poses de chefes de estado e / ou intelectuais consagrados. Poderia estar aqui todo o dia a enumerar exemplos. “Vocês sabem do que eu estou a falar …”.
Esta importância dada ao mundo do futebol e seus intervenientes perverte o espírito da “coisa”. Em vez de se ensinar valores de desportivismo e civismo em geral, esta loucura mediática transmite aos mais novos e não só, a ideia do vencer a qualquer preço e como consequência o sucesso e o vedetismo.
Discute-se nos cafés, nas ruas, nos empregos, nas escolas … pormenores patéticos de novelas futebolísticas e outras futebolices.
O culminar desta perversão do futebol, misturado com a falta de maturidade cívica e sentido de prioridades do nosso povo em geral, leva a que aconteçam situações como esta recente no Canadá, no Mundial de sub-20. Não esqueçamos outros exemplos como as de João Pinto, no Mundial da Coreia, com o soco ao arbitro e da destruição do balneário em França após a vitória dos sub-21 …
As declarações do Presidente da FPF, Gilberto Madaíl, após a derrota com a Holanda, dos sub-21, no Europeu do escalão, ainda antes da eliminação da prova e da participação nos jogos olímpicos, sobre a influência de um alto dirigente holandês da UEFA na arbitragem que prejudicou Portugal, demonstram uma insensatez quase infantil que reina nas bocas dos dirigentes de futebol em geral.
Estas declarações, entre tantas outras, acrescentadas agora a estas dos responsáveis e jogadores da selecção de sub-20 assume um carácter quase de tragicomédia.

Lê-se no jornal Record:

Zequinha: «Desculpas a todos os portugueses»
AVANÇADO INVOCA "MOMENTO DE DESESPERO
"

O avançado Zequinha pediu desculpa ao povo português pela sua expulsão no jogo dos oitavos-de-final do Mundial de Sub-20 diante do Chile, perdido pela Selecção por 0-1.

"Quero pedir desculpa a todos os portugueses, que sempre nos apoiaram, e também ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, que não merecia nada disto que aconteceu. Foi um momento de desespero. Não vai voltar a acontecer. Não sei se a federação ou a FIFA vão tomar medidas. Peço desculpa por tudo", disse o n.º 9, expulso por tirar o cartão vermelho da mão do árbitro, que acabava de o mostrar ao defesa-direito Mano, por agressão deste a um opositor chileno.

Como atenuantes (talvez aquelas de que falou Couceiro, também à chegada), Zequinha explicou os pensamentos que teve na altura dos incidentes:

"Estávamos a perder por 1-0 e faltavam cinco minutos para o fim. O árbitro ia expulsar um jogador muito importante e eu só tirei o cartão para que ele pensasse duas vezes. Antes, tinham havido duas agressões ao Fábio Coentrão e nada aconteceu."

Ainda acrescento as palavras de José Couceiro de hoje, também no Record:

Couceiro: «Não vejo motivos para abandonar o cargo»
TÉCNICO FALA EM "ATENUANTES" PARA SUB-20

O seleccionador nacional José Couceiro não vê por que há-de abandonar o cargo, mesmo depois dos maus resultados que obteve no Europeu de Sub-21 e no Mundial de Sub-20.

"Não vejo motivos para isso acontecer. Os Sub-21 não foram tão longe como todos gostaríamos, mas ainda assim fizemos a terceira melhor classificação de sempre da selecção. Quanto aos Sub-20, evidentemente que saímos mal. Mas atingimos o objectivo que tinha sido traçado, que era chegar aos oitavos-de-final", frisou o técnico.

Quanto aos graves incidentes disciplinares do encontro com o Chile, Couceiro traçou as linhas de acção, sem querer adiantar-se sobre o assunto: "Tenho conhecimento que vai ser aberto um processo. Por isso, não vou comentar. Eu próprio fui buscar o jogador dentro do campo. Se há um inquérito, responderei na altura."

Mas o treinador asseverou ainda que "pode haver atenuantes" -"Naquele momento Portugal estava à procura do golo do empate. Qualquer acção para queimar tempo, beneficia sempre a equipa adversária" -, que a primeira coisa que os jogadores expulsos (Zequinha e Mano) fizeram foi pedir desculpa à restante equipa e ao comando técnico, e que toda a situação "será analisada internamente."



Lágrimas, meus amigos … lágrimas …

3 comentários:

O Micróbio II disse...

O problema não se reduz ao facto de tais jogadores pedirem desculpas ou não... o problema está em termos um treinador que selecciona jogadores como o Zequinha, o Mano, Nuno "qualquer coisa" (da maneira como joga até o primeiro nome o pessoal vai esquecer...)... da próxima vez escolham jogadores de futebol e não infantis que mal podem com as chuteiras!

Jofre Alves disse...

Momentos de desespero foi o nosso assistir às vergonhas das duas equipas "treinadas" pelo Couceiro, um zero a esquerda do famoso Luis Campos, mais conhecido pelo Luís Campas. Um prazer visitar este blogue. Boa semana.

Sem Quórum disse...

Talvez o efeito "desastre Sócrates" esteja a propagar-se ao futebol, o que até é de saudar pra ver se o país acorda. Couceiro faz lembrar Artur Jorge qdo, perante as derrotas, dizia laconicamente que "é perfeitamente normal"... O currículo de Couceiro enriquece e, depois de clubes, já enterra selecções umas atrás das outras, ele q é melhor sentado a dar conferências de imprensa e a culpar os árbitros e o sistema. Terá tirado o curso de treinador na Universidade Independente em 96?
Abraço,
ALM