Com o Dolce Vita à porta, foram saindo, na semana passada, os últimos trabalhadores (533), da produção de cablagens para o modelo do Toyota Corolla, da Yazaki Saltano. De um lado da circular norte a opulência de um centro comercial que apela ao consumo, e que todos gostam, incluindo eu, presunçoso intelectual, do outro, um empreendimento industrial enorme, que chegou a empregar cerca de 4000 pessoas, num silêncio moribundo. Outro contra-senso, um pouco mais abaixo, a antiga Empresa da Argibetão, a cair aos pedaços, à espera de ser transformada num Carrefour.
Parece ser irónico que com tanto desemprego existente e emergente na cidade, existam (por exemplo, dois Retail Parks) e continuam a aparecer tantos empreendimentos comerciais gigantes e muita construção habitacional. Por um lado isto reconforta-me por ver tanta vivacidade comercial e turística (prevê-se mega empreendimentos hoteleiros e de golfe para breve, na zona das praias e ria) e por outro lado deve ser um sinal de que haverá empregos nesses sítios que irão, em grande parte, diminuir os índices de emprego.
Faz-me lembrar a cidade onde actualmente resido, Viseu, que de industrial quase nada tem, mas que já vai na construção do segundo grande centro comercial e de um Retail Park, e constrói-se fogos como se não houvesse amanhã. No entanto, para além de ser sede de concelho e comarca como Ovar, também é capital de distrito, e consequentemente vive muito de serviços, para além de ter uma população estudantil razoável, fruto dos vários estabelecimentos de ensino superior que vegetam na urbe.
Não sou economista, nem sociólogo. Isto tudo causa-me uma certa confusão, porque parece ser o que se passa na generalidade das cidades do nosso país. Não estou a dizer que seja mau, simplesmente estranho.
Enfim, haja saúde … e dinheiro!
Enfim, haja saúde … e dinheiro!